Estou num semideiro
Sem ideia para onde ir
Talvez me ache uma semidéia
Porque te acho um semideus
Com tantas divindades,
A maior delas é o teu amor
Cativaste-me por inteiro
Agora não sei para onde vou
Se vou ao teu encontro
Ou se fujo do teu calor
Não sei como um semideus
Pode ser semibárbaro
Só sei que barbarizou meu coração
Pensando bem...
É melhor seguir teus passos
Só assim eu não me perco
No semideiro que eu mesma criei
Taíssa Cazumbá
2000
Poesia o Tempo Todo
por Taíssa Cazumbá
quinta-feira, 5 de março de 2020
terça-feira, 2 de abril de 2019
Pra não dizer que não falei da florescência
No dicionário da poesia,
Solpolinizar significa eternizar uns aos outros.
No dicionário da poesia,
Eu nunca tenho razão.
No dicionário da poesia,
Morrer é o mesmo que reviver.
No dicionário da vida atual,
A Poesia se resume a bolhas sociais,
Ilhas ecológicas,
Ilhas psicológicas,
Naturezas insustentáveis,
Paradoxos, Alucinações,
Aliterações angustiantes,
Deslizes humanos, perversidades,
Sílabas revoltantes
Que saem aos berros
De uma raça não liberta.
Só a poeira do vento é que parece carregar alguma verdade
(estamos nos intoxicando).
Antes o verde, ele carregasse.
Qualquer coisa que fizesse a humanidade olhar pra si com carinho,
Reconhecer-se no gafanhoto e na formiga,
No avião e no passarinho,
No morango e no grão de milho,
Na mãe, na avó, no birrento filho,
No abutre e na carcaça,
No opressor e no oprimido,
No presidente e no presidido.
Enxergar-se em sua própria essência: democrática, dual e plena.
Enxergar-se em sua sua missão-auto-germinação.
Vingar até desenvolver sua megaflorescência
Ser no mundo, fluorescência...,
Amar até renascer.
No dicionário da poesia,
O cosmo sou eu,
O cosmo é você.
E é tudo mais.
(Taíssa Cazumbá)
Solpolinizar significa eternizar uns aos outros.
No dicionário da poesia,
Eu nunca tenho razão.
No dicionário da poesia,
Morrer é o mesmo que reviver.
No dicionário da vida atual,
A Poesia se resume a bolhas sociais,
Ilhas ecológicas,
Ilhas psicológicas,
Naturezas insustentáveis,
Paradoxos, Alucinações,
Aliterações angustiantes,
Deslizes humanos, perversidades,
Sílabas revoltantes
Que saem aos berros
De uma raça não liberta.
Só a poeira do vento é que parece carregar alguma verdade
(estamos nos intoxicando).
Antes o verde, ele carregasse.
Qualquer coisa que fizesse a humanidade olhar pra si com carinho,
Reconhecer-se no gafanhoto e na formiga,
No avião e no passarinho,
No morango e no grão de milho,
Na mãe, na avó, no birrento filho,
No abutre e na carcaça,
No opressor e no oprimido,
No presidente e no presidido.
Enxergar-se em sua própria essência: democrática, dual e plena.
Enxergar-se em sua sua missão-auto-germinação.
Vingar até desenvolver sua megaflorescência
Ser no mundo, fluorescência...,
Amar até renascer.
No dicionário da poesia,
O cosmo sou eu,
O cosmo é você.
E é tudo mais.
(Taíssa Cazumbá)
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
sábado, 9 de junho de 2012
Eu Não Tô Nem Aí
E
eu com isso?
Quem
pariu Mateus que se balance
Porque
eu não tô nem aí
Se
ergueu o mastro então alcance
Se
as pessoas passam fome na Etiópia
Não
tô nem aí se o Brasil perdeu a Copa
E
eu com isso?
Se
seu filho usa drogas
O
pepino é todo seu
E
eu com isso?
Se
foi preso o inocente
Se
tem mais uma pessoa doente
Eu
é que não tô nem aí
Ah...
Se o presidente roubou
Se
o mendigo chorou
Se
o menino matou
Se
a mulher se suicidou
Se
a menina abortou
Eu
não tô nem aí
Me
diz, Brasil, e eu com isso?
Se
o emprego ocê perdeu
E
você não mereceu
Mas
entenda!
É
que o problema não é meu.
Se
a casa cair
Se
o mundo explodir
Eu
não tô nem aí
E
se vão falar de mim
Por
mim, posso não estar mais aqui
Se
ninguém for ao meu enterro.
Eu
não to nem aí
O
problema só será meu
Não
quero cuidar do meu
Porque
vou cuidar do seu?
Eu
é que não tô nem aí
Se
a vaca não der mais leite
Se
todos morrerem de sede
Se seu filho não sabe ler
O
problema é todo seu
Se
o policial também é bandido
Eu
não tô nem aí
Sei
que ninguém vai se lembrar de mim
Mas eu não tô nem aí
Tenho
uma dúvida enorme:
Se
eu me mover
Será
que o mundo vai me conhecer?
Não...
Acho que não!
Por
isso é que eu não tô nem aí!
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Viver Mais
Queria
viver mais e envelhecer menos
Queria
viver mais e perder meu medo
O
medo da velhice
Não
pelas rugas
Não
pela pele mastigada e sim pelo atraso mental
Não
pela coluna cansada e sim pelo sim a sociedade
Queria
viver bem mais para provar ao mundo
Que
não é só ele que dá voltas em torno de si mesmo
Eu
também consegui dar voltas em torno dele
E
que ele também deu voltas em torno de mim
Mas
eu consegui firmar-me a todo o instante
Queria
viver mais para poder mostrar ao Sol
Que
não é só ele que consegue iluminar as pessoas
Eu
também consegui e cada raio meu que incidia
Dava
mais um dia de vida para alguém desesperado
Queria
viver mais e mostrar para Einstein
Que
nem sempre a resposta certa
seria
a melhor resposta
Queria
viver mais tempo e provar pro tempo
Que
ele não nos dá tanto tempo
Para
fazermos tudo o que queremos
Eu
queria viver mais e agradecer à insônia
Por
me livrar dos pesadelos
Eu
queria viver mais
E
ao chegar ao ápice da minha velhice
Amar
ainda minha tatuagem
E
usar meus jeans rasgados
Queria
viver mais e não lembrar dos que se foram
Dos
que não conseguiram intervir para os problemas sociais
Os
que ao ter o mundo nas mãos deixaram-no cair
Eu
queria viver mais, e ainda mais, apesar de tudo o mais...
sorrir demais
Eu
queria viver mais e ver que meus rins e meus pulmões
Apesar
de tudo, ainda estão bons
Eu
queria viver mais, mas talvez não viva tanto
(Apesar
de acreditar na cigana)
Pela
imensa vontade, pelo imenso desejo...
De
viver mais.
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Canções de Quarto
Tão
surreal
Parece
mágico
Do
jeito em que tudo começou
Tão
inusitado
E
no chuveiro eu ensaio as canções
Que
fiz pra você no meu quarto
As
canções enquanto estava nos teus braços
Momento
de muita alegria.
No
chuveiro ensaio essas canções
Marcadas
pelo que é eterno
No
quarto marcado pelo nosso amor
Neste
quarto eu compus
As
canções que no banheiro eu ensaio.
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Dissolução
Tudo
que pra mim era certo
Agora
é errado
Tudo
o que pra mim era errado
Tornou-se
certo
Tudo
que pra mim levava tempo
Tornou-se
rápido
O
que pra mim era comédia
Tornou-se
tragédia
Tudo
o que pra mim era vital
Tornou-se
mortal
Tudo
o que pra mim era novo
Tornou-se
arcaico
Tudo
que pra mim era muito
Tornou-se
pouco
O
que pra mim era banal
Tornou-se
essencial
Tudo
o que pra mim fez-me rir
Não
tem mais graça
Tudo
o que pra mim era bom
Tornou-se
uma desgraça
O
que pra mim era riqueza
Tornou-se
pobreza
Tudo
o que pra mim era leal
Tornou-se
falso
Tudo
o que pra mim era pequeno
Ganhou
espaço
Só
tempo é quem faz
Só
o tempo é quem desfaz
Só
tempo refaz
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
A Saga do Sábio e do Sabiá
O
sabiá sabia que o sábio sabia mais que ele
O
sábio também sabia que o sabiá cantava mais
E
nesta saga tão serena encontrou-se um problema
O
sabiá de uma grande árvore resolveu se atirar.
Mas
seu instinto de ave o levou a voar.
O
sábio também resolveu se jogar.
Mas
depois percebeu que não tinha asas de sabiá.
O
sabiá fez-se forte
E
tentou ao sábio alcançar
Com
muito peso em suas costas
Conseguiu
o salvar
Logo,
ambos perceberam que juntos eram perfeitos
O
sábio fez a poesia
E
o sabiá pôs-se a cantar.
Cada
qual tem o seu dom
Uns
cantam, uns dançam
E
outros fazem som.
Ser
sábio ou sabiá?
Tanto
faz pra quem sonhar!
O
melhor de tudo é poder se revelar.
Você
faz sua melodia
Eu
faço a minha arte
Você
faz a poesia
E
vamos a qualquer parte.
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Soneto Secreto
Tenho
um poema escondido
No
meio de um livro em algum lugar
Tenho
um grande irmão, um grande amigo
Pra
ele eu posso revelar
Não
se trata apenas de versos
São
pensamentos complexos
Que
invadiram o meu ser
Falei
de todas as dores
Falei
dos rumores
Que
um dia eu vi nascer
Se
todos os homens fossem fiéis
Recitaria
pro mundo
O
que tem de profundo
Naqueles
velhos papéis
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Fascínio da Arte
Mesmo
que eu perca a visão,
Os
perfumes das tintas me guiarão.
Mesmo
que eu esteja velho e cansado,
Os
aplausos me levarão ao palco.
Mesmo
que minha coluna não agüente,
Escreverei
todos meus pensamentos
Por
intermédio de alguém.
O
que não dá é pra viver sem arte.
O
que não dá é pra ser infeliz.
Pois
viver sem arte,
É
viver como zumbis!
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Espero ou Não
Só
não espero que a última chama se apague
Só
não espero que o último menino seja corrompido
Só
não espero que o último beijo seja esquecido
Só
não espero que a última gota seque
Que
o último gênio seja assassinado
Que
o último prédio seja desabado
Que
o último índio seja queimado
Que
o último mendigo seja pisado
Eu
só espero que a última noite tenha sossego
Eu
só espero que dê frutos o outono inteiro
Eu
só espero que a última árvore seja regada
Eu
só espero que a última urtiga seja cheirada
Que
o último vento guie o barco
Que
o último tiro não atinja o alvo
Que
o último sino toque ao Norte
E
que a última estrela brilhe forte
Só
não espero que o último velhinho seja caduco
Só
não espero que o último homem seja volúvel
Só
não espero que a última pomba seja alcançada
Só
não espero que a última donzela seja magoada
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Anos Luz
Sinto-me
disparar como um míssil inalcançável
Em
anos luz à frente de toda a minha classe
De
toda família, vizinhança e amizades.
Sinto-me
retardado como um velho lastimável
Que mal sabe que sua longa idade
Lhe
trás sabedoria e felicidades.
Às
vezes perto demais
Às
vezes longe
Busco-me
e não me alcanço
Mas
fujo de mim
E
acabo me encontrando
Vivo
de dúvidas
Mas
não me julgo cético
Vivo
sem resposta
Mas
não me julgo leigo
É
que não consigo acreditar
Em
tudo o que me dizem.
Eu
só acredito nos mortos.
E
dos que estão vivos,
Só
acredito nos loucos.
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Ambição
Assim
como o bico da andorinha orienta o seu vôo
A
nossa mente orienta nossos passos
Buscando
espaços
Que
talvez nunca nos serão dados
A
vida conspira pra que sempre busquemos
E
por mais que alcancemos
Nunca
nos será o bastante
Nunca
estaremos saciados
Se
no deserto buscamos oásis
No
oásis queremos um castelo
E
no castelo exigimos a melhor cama
Na
melhor cama almejamos a mais bela dama
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Mundo do Absurdo
Muitas
portas e nenhuma chave
Muitos
bilhetes e nenhum sorteado
Muitos
gênios e nenhum acordado
Muitos
barcos e nenhum leme
Muitas
mulheres e nenhuma assumindo
Muitas
mães e nenhuma apoiando
Muitos
professores e nenhum educando
Muitos
reis e nenhum sendo digno
Muitas
canetas e nenhuma prestando
Muitos
pincéis e nenhuma tinta
Muitas
espécies, a maioria extinta
Muitas
árvores e ninguém regando
Desperta,
Povo!
O
mundo está rodando
Mas
nós estamos parados
Desperta,
Povo!
A
música está rolando
E
nós estamos calados.
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Confusão
Não
sei o que fazer
Tudo
muda quando estou com você
Você
até me pediu pra te esquecer
Mas
esqueço as horas
Os
ponteiros atrasam
Esqueço
os amigos
Lembro
quando me abraçam
Esqueço
os caminhos
Eles
mesmos me desabam
Volto
triste a te ver
E
me pede pra esquecer de te esquecer.
Aí
tudo muda
Sinto-me
confusa
Tanto
já mudei pra te seguir
Tanto
já neguei pra te servir
Faço
tudo por você
Só
não me peça novamente
Pra
eu te esquecer.
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Soneto de Mudanças
Algo
quer me corromper
O
que não me limpa quer me poluir
Já
o que não me apaga quer me acender
Luto,
luto
Mas
acabo me batendo
Ando,
ando
Mas
acabo me perdendo
A
alma está me confundindo
O
coração está me revendendo
A
mente está brilhando
Mas
meus braços estão doendo
A
sua sorte quer me fracassar
O
seu instinto quer me açoitar
Mas
eu não quero parar de lutar
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Dia de São Nunca
São
nunca me visitou
Ontem
à noite
E
disse que vai chegar seu dia
Jurou
que seu dia vai chegar.
Me
disse que nesse dia
Todas
as crianças
Gostarão
de estudar
E
que todos os gatos
Serão
amigos de um preá
Disse
que não será preso
Nenhum
inocente
E
que neste dia
Não
haverá nunguém doente
Além
de que não irá haver
No
mundo inteiro
Ninguém
brigando
Ou
guerreando por dinheiro
E
que todos os filhos
Obedecerão
os pais
E
que ninguém na terra
Maltratará
os animais
No
mesmo dia quem for picado
Por
cobra venenosa, sobreviverá
E
nenhum político no planeta
Nesse
dia irá roubar
E
aqui estou eu
Ansioso
por esse dia
Que
são nunca prometeu
Que
um dia vai chegar.
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Carpe Diem
Aproveito
a vida
Porque
na morte
Não
terei mais chance de errar
Se
a vida é feita de escolhas
Tenho
que arriscar
Na
maioria das vezes
Faço
a escolha errada
Pior
ainda é não escolher
Pois
serei levado pelo tempo
Como
plumas jogadas ao vento
Ainda
tenho um testemunho a dar:
Não
tem como o homem apenas acertar
E
é por este motivo que resolvi aproveitar
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
Desconhecido de Mim
Sou
desconhecido de mim
Uma
besta bípede
Que
não consegue se encontrar
Andando
na escuridão
Clareando
apenas em instantes
Com
um poder maior que me consome
E
a cada luz que vejo à minha frente
Penso
ter me descoberto
Só
que são apenas em segundos
Desta
hora que não quer acabar
A
divina caçada de ser o que ainda nem sei.
De
me situar entre os gênios
E
fazer-me com eles.
De
me situar entre os artistas
E
ser tão perfeito quanto
De
simplesmente me descobrir
Conhecer-me
E
finalmente
Ser
quem eu quero ser.
E
me amar
Assim
sem limites
Eu
conhecendo a mim mesmo
E
ganhando a minha própria amizade
Sem
ambições.
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá
domingo, 18 de setembro de 2011
Fonte da Juventude

Não espero que os adultos entendam o que estou prestes a declarar. Mas a verdade é que ninguém nasce novo e ninguém está predestinado a morrer velho.
Desde a infância, nós ouvimos histórias da Terra da Nunca e da tal Fonte da Juventude, mas esses “faz-de-conta” dependem só do “faz” de alguém.
Há quem busque dentro de si a Fonte da Juventude e a encontre sem demora. Eu sou capaz! Não quero morrer velho e isso não significa que quero morrer cedo porque a velhice é definida por atitudes. Vejamos: somos nós que nos colocamos na condição de que se nossos ossos estão debilitados não devemos correr na praia. Por quê?
Os médicos dizem para moderar nos esforços, mas não dizem que devemos parar de andar, ficar sentados o tempo todo na poltrona na frente da TV, mas TV em excesso também pode prejudicar a visão, não é? Deveríamos então, passar o resto das nossas vidas dormindo? Se te faz bem, sim! O que me faz bem é a juventude e se a você também faz sejamos jovens.
Joguemos bola, uma vez por semana.
Vamos à praia, de quinze em quinze dias.
Falar bobagens com os amigos, de quando em quando.
Comer pastéis, uma vez no mês.
Quem disse que Terra do Nunca não existe?
Quem disse que Fonte da Juventude não existe?
Quem disse que Faz-de-conta não acontece?
Terra do Nunca sempre existiu, mas a gente perde o mapa quando cresce.
Fonte da Juventude sempre esteve dentro de cada um de nós, mas a gente deixa secar.
E o Faz-de-conta só não acontece pra quem não faz ou receia contar.
Taíssa Cazumbá
14/06/09
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