Só
não espero que a última chama se apague
Só
não espero que o último menino seja corrompido
Só
não espero que o último beijo seja esquecido
Só
não espero que a última gota seque
Que
o último gênio seja assassinado
Que
o último prédio seja desabado
Que
o último índio seja queimado
Que
o último mendigo seja pisado
Eu
só espero que a última noite tenha sossego
Eu
só espero que dê frutos o outono inteiro
Eu
só espero que a última árvore seja regada
Eu
só espero que a última urtiga seja cheirada
Que
o último vento guie o barco
Que
o último tiro não atinja o alvo
Que
o último sino toque ao Norte
E
que a última estrela brilhe forte
Só
não espero que o último velhinho seja caduco
Só
não espero que o último homem seja volúvel
Só
não espero que a última pomba seja alcançada
Só
não espero que a última donzela seja magoada
Taíssa Cazumbá
Taíssa Cazumbá

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